Reuniões - Porque juntos somos mais burros
"Se tivéssemos que resumir numa palavra o motivo pelo qual a espécie humana não alcançou nem nunca alcançará todo o seu potencial, essa palavra seria 'reuniões'." - Dave Berry
Já gostei desse cara! Somos melhores amigos e ele nem sabe.
O problema não são as reuniões em si. O problema é que viraram o altar sagrado da mediocridade corporativa, onde ideias vão para morrer e o tempo escorre pelo ralo junto com sua vontade de viver (estou todo poéticozinho hoje).
Geralmente, sessões de brainstorm são convocadas para "achar ideias brilhantes" o mais rápido possível. Ironicamente, a única coisa que conseguem é nos deixar mais travados do que fila de banheiro químico em rave.
A matemática é simples:
Sessões de brainstorm com pessoas desconectadas = Assistir tinta secar, só que pior, porque pelo menos a tinta tem a dignidade de eventualmente terminar o processo.
Sessões de brainstorm com pessoas desconectadas + líderes egocêntricos = Prefiro uma colonoscopia feita com um cano PVC da Tigre. Pelo menos seria mais rápido e alguém ia se divertir. (O médico, calro. Talvez eu.)
Nos dois cenários você encontra:
- Pessoas em silêncio absoluto, com medo de abrir a boca e virar o próximo alvo do chefe;
- Gente falando ao mesmo tempo, atropelando falas alheias como se estivessem em uma feira;
- Puxa-sacos concordando com as sugestões dos "chefes", mesmo quando a ideia é ridícula e sem sentido.
"Então esse post é só pra reclamar?"
Possivelmente. Mas vamos fingir que tem utilidade pública e sugerir algumas soluções (que ninguém vai implementar):
Reuniões Informativas: Se o assunto é complexo, reúne a galera. Se é simples, manda um e-mail e poupa meu tempo. Não me convoque para ouvir informações que cabem em um post-it.
Problemas Criativos: Se envolve criatividade, monte um time que esteja minimamente conectado e se respeite, pelo menos. Ou melhor ainda, contrate um especialista. Porque criatividade forçada em grupo resulta em campanhas tão inspiradoras quanto o último anúncio das Havaianas.
Decisões Executivas: Se só os grandões decidem mesmo, que decidam sozinhos e depois nos informem. Pode ser por e-mail, telegrama, pombo-correio ou sinal de fumaça. Só não me façam sentar numa sala fingindo que minha opinião importa.
Às vezes me questiono:
Será que sou muito implicante?
Será que sou mais insuportável do que o normal?
Será que não deveria ser mais tolerante com quem assina meu contracheque?
Talvez... Mas a resposta continua sendo NÃO.
Que se fodam! Tenho trabalho de verdade esperando e, daqui a pouco, vão me cobrar aquelas demandas "urgentíssimas" que provavelmente nem serão usadas. Mas vão me cobrar com a intensidade de quem espera a cura do câncer.
"Isso foi um desabafo, reclamação ou o quê?"
Foi "ou o quê". Pronto, resolvido.
Mas vamos ser práticos: como lidar com algo que sabemos que jamais vai mudar?
O plano de sobrevivência é elementar:
- Lembre-se de que é temporário - Até a reunião mais interminável tem fim. Ou você morre. O que vier primeiro.
- Procure aliados - Sempre tem aquelas pessoas que tornam o inferno suportável. São elas que vão rir com você depois, no café, relembrando as merdas que foram ditas.
- Teste de paciência - Encare como treinamento para lidar com situações absurdas. Tipo um curso intensivo de "como não estrangular idiotas em ambientes corporativos".
- Exercício de autocontrole - Aprenda a resolver problemas sem cometer homicídio. É uma habilidade valiosa e que mantém seu currículo limpo.
Reuniões são como sogras: não escolhemos, mas somos obrigados a conviver.
No final das contas, se você conseguir extrair alguma diversão desse circo de horrores, ótimo. Mas não se iluda achando que vai sair de lá com uma ideia revolucionária.
A verdadeira conquista é sair com sua sanidade mental ainda intacta e sem ter dito em voz alta tudo aquilo que estava pensando, e correndo o risco de ser desligado da empresa.
Porque, convenhamos, se fôssemos honestos em reuniões, metade da sala seria demitida e a outra metade estaria no RH prestando queixa.
Agora, preciso finalizar. Tenho uma reunião daqui a quinze minutos para discutir a próxima reunião.
Com amor, carinho, um pouquinho de ódio, e uma vontade imensa de fingir um desmaio para escapar da reunião,
Mike Sakko! 😉