Steve Jobs - Um exemplo a ser seguido. Só que não!
É inegável a contribuição que Steve Jobs trouxe para a tecnologia. Se não fosse ele, talvez você nem estaria lendo isso em uma tela de celular. Ou talvez estivesse, mas não seria tão chique.
E só para esclarecer: a questão aqui é sobre Jobs e não sobre a Apple, cujos produtos são excelentes e EU GOSTO! Não tenho muitos, mas gosto!
Jobs é um dos nomes mais importantes das últimas décadas. Ou pelo menos, inicialmente é o que ele queria que você acreditasse.
Mas também é inegável que ele imortalizou seu nome sapateando na cabeça de várias pessoas. Até porque, o caminho para o sucesso é pavimentado com as lágrimas dos subordinados (poético, mas trágico). E isso deve soar familiar, não?! Quem nunca teve um chefe pau no c#?!
É muito fácil encontrar artigos falando sobre sua "genialidade", sua determinação e seu poder de inovar. Quase tão fácil quanto encontrar críticos da Apple em uma convenção do Android, onde todos parecem ter PhD em odiar maçãs.
Contudo, encontrar depoimentos positivos daqueles que trabalharam próximos a ele é mais raro do que achar um gestor com bom senso.
Acho que nunca li algo agradável de alguém que já conviveu com Jobs, e isso inclui parentes próximos.
Lisa, sua filha, está aí para mostrar que no quesito paternidade ele também foi uma verdadeira inspiração... Pelo menos para aqueles que recorrem ao exame de DNA do Programa do Ratinho.
Basicamente, os comentários dessas pessoas se resumem em:
"Ele era um cara muito escroto".
Parece até lema de camiseta de startup:
"Trabalhe duro, seja escroto, conquiste o mundo".
Inspirador, não?! Alguns dizem (ou apenas pensam) que sim!
A maioria não dá muitos detalhes e se limita a essa frase, talvez por receio das críticas dos adoradores da Apple e dos tontos que acham que agir como um babaca vai mudar o mundo.
Mas se você aprofundar um pouco a pesquisa, vai encontrar depoimentos mais sinceros sobre quem de fato foi Steve Jobs. Pessoas que falam sobre sua verdadeira face, aquela que não está nos comerciais polidos e nas apresentações de slides "motivadoras"
A verdade é que Steve Jobs se tornou um grande nome através da genialidade das pessoas que estiveram perto dele. Pessoas que não foram valorizadas, consideradas ou sequer mencionadas.
Afinal, por que dar crédito a quem realmente fez o trabalho duro quando você pode tomar todos os louros e ainda posar de gênio?
Esses sim são os verdadeiros gênios. São as pessoas que estão na linha de frente, que realmente se dedicam, se entregam e dão a vida pelo propósito, mesmo debaixo de uma chuva de feedbacks tóxicos e pressão absurda.
Atualmente, isso é mais comum do que encontrar um colega de trabalho que não reclama do café da empresa.
Muitos nomes admiráveis têm uma equipe altamente eficiente planejando tudo, mas que sequer são lembrados. Porque, no fim das contas, a visibilidade é para quem tem o microfone na mão, mesmo que quem escreveu o discurso esteja preso no porão da empresa (coincidentemente, enquanto escrevo esse texto, estou no porão de uma empresa – metaforicamente falando, claro. Mas não duvido que pensariam em me colocar em um, se tivesse).
Aparentemente, isso virou uma tendência. Toda pessoa que consegue algum destaque e dinheiro, busca contratar pessoas criativas, que possam aumentar essa relevância.
Virou moda posar de estrela roubando o brilho de quem realmente merece.
Os discípulos modernos de Steve Jobs acham que ser um chefe tirânico é a fórmula mágica para o sucesso. Aquelas pessoas que leem sua biografia e pensam:
"Se eu gritar mais, também vou criar o próximo iPhone".
A única coisa que conseguem criar é um ambiente de trabalho tóxico e desmotivador.
É engraçado (ou trágico, depende do ponto de vista) ver como algumas pessoas realmente acreditam que o segredo do sucesso é tratar os outros como números descartáveis.
Eles se sentem quase poéticos ao dizer frases como:
"Eu não estou aqui para fazer amigos, estou aqui para vencer!".
Deve ser incrível ter o título de "líder visionário" e, ao mesmo tempo, uma equipe que sonha em te atropelar com o carro da empresa.
É interessante ver os "adoradores de Jobs" defendendo essas atitudes. Eles dizem:
"Ah, mas o Steve era um gênio incompreendido!".
Claro! E eu sou um unicórnio dançando Macarena. Confundir grosseria com genialidade é como confundir um chihuahua raivoso com a Hello Kitty.
Essas pessoas adoram usar exemplos de Jobs para justificar suas próprias falhas de caráter.
“Steve Jobs era difícil de lidar e olha onde chegou!”
Verdade, ele chegou ao topo, e agindo assim você vai chegar ao topo, só que da lista negra de todos os RHs da cidade e ter seu nome escrito em um papel, dentro da boca costurada de um sapo. Parabéns, estamos todos muito impressionados!
E assim, essas figuras seguem seu caminho, achando que uma grosseria aqui, uma humilhação ali, é a chave para a inovação. Porque, no fundo, o objetivo é simples: "deixar um legado"
O que vão conseguir mesmo são histórias de horror contadas pelos funcionários, em mesas de bar e conversas no WhatsApp.
Vamos ser sinceros, esses imitadores de Steve Jobs acabam mais parecendo vilões de filme B do que líderes de sucesso.
A única coisa que conseguem inovar é a maneira de serem odiados. É impressionante como conseguem ser criativos nisso. Inclusive, só pra isso mesmo.
E nem no filme sobre sua vida, onde geralmente transformam vilões em heróis, conseguiram deixar Jobs com uma boa imagem. Na verdade, acho que nem tentaram. Devem ter pensado:
"Vamos deixar assim, ninguém vai acreditar se a gente suavizar".
Steve Jobs terminou praticamente sozinho, sem alegrias e cercado por pessoas que estavam lá por obrigação, ou porque viram uma oportunidade de subir na carreira, esses, também são conhecidos como puxa-sacos profissionais.
Penso que, depois de um tempo, esses "líderes" acabam sozinhos e sem ninguém para dividir as conquistas.
Porque, no final das contas, o que realmente importa não é o quanto você é superior, mas sim o quanto você inspira.
E inspirar pelo medo é a maneira mais rápida de perder o respeito e a lealdade das pessoas.
Se você quer ser lembrado, seja um líder que valoriza, apoia e reconhece. Porque a verdadeira genialidade está em criar um ambiente onde todos podem brilhar, não só você!
Até a melhor maçã perde o sabor quando não há respeito. Respeito e consideração são frutas tão doces, que valem mais que qualquer inovação tecnológica.
Com amor, carinho e ódio controlado por remédios,
Mike Sakko! 😉