Blog do Mike

Copywriter – Escrevendo para quem não sabe ler, mas adora opinar.

Muita gente pensa que o copywriter passa os dias de pijama, em um eterno estado zen, escrevendo frases brilhantes enquanto bebem café!

Eu diria que eles estão totalmente errados, exceto pela parte do café. A verdade é que ser um copywriter é um verdadeiro show de horrores e expectativas furadas.

Começando pelos parentes
Aqueles seres adoráveis que sempre têm uma opinião relevante sobre seu trabalho:

"Você fica escrevendo no computador o dia todo? Isso é trabalho?"

Perguntam com um sorriso que é um misto de pena e superioridade. Como um bom copywriter, minha resposta é gentil e esclarecedora:

Claro, Tia! Sentar a bunda na cadeira e transformar palavras em uma mensagem impactante é a mesma coisa que fofocar o dia inteiro em um salão de beleza! Aliás, já faz um tempinho que a senhora não frequenta o são, não é mesmo?!

Os clientes:

Esses acreditam que você é um Harry Potter das palavras, pronto para transformar falta de noção em dinheiro:

"Preciso de um texto que venda meu produto!"

Geralmente, só procuram um copywriter, quando o produto é ruim e não está vendendo!

Há também os clientes que são mestres em transformar um pedido simples em uma saga interminável:

"Você pode mudar essa palavra aqui? E essa outra? Na verdade, acho que o texto inteiro precisa de um tom diferente, mais amigável, mas sem perder a formalidade, sabe?"

Sim, claro! Vou apenas pedir para o Aurélio redefinir o significado de "amigável" e "formal" no dicionário, enquanto procuro um cantinho escuro para chorar.

E sempre dá pra piorar. Há os clientes que acham que sabem mais do que o próprio copywriter. Eles vêm com seus diplomas honorários de "Universidade da Persuasão" e acham que podem te ensinar a escrever:

"Eu li em um blog que os melhores textos têm frases curtas, então reescreva tudo com frases curtas."

Ok, vamos transformar esse parágrafo em um telegrama e foda-se o contexto e a fluidez!

Esses são os mesmos clientes que insistem em usar jargões que nem eles entendem:

"Preciso que o texto tenha mais sinergia e seja disruptivo."

Ah, claro! Vou passar o texto pela minha máquina de sinergia e depois borrifar um pouco de disrupção. Tranquilo, achei que fosse pedir algo mais complicado!

E os clientes obcecados pelos tais "gatilhos mentais"? Eles ouviram falar que uma copy sem gatilho não é uma boa copy e agora querem todos os gatilhos possíveis, como se fossem emojis em uma conversa de WhatsApp.:

"Coloca um gatilho de escassez aqui, um de urgência ali e não esqueça do gatilho da prova social."

Claro! Vou entupir de gatilhos e a copy ficará mais convincente que o teste de fidelidade do João Kleber!

E não podemos esquecer dos clientes que têm uma obsessão por palavras-chave:

"Eu quero que o texto tenha a palavra 'revolucionário' pelo menos quinze vezes."

Ok, então lá vai:

"Nosso produto revolucionário é tão revolucionário, que o conceito de revolução terá que ser revolucionado. Além disso, revolucionará todas as revoluções anteriores, porque é uma revolução realmente revolucionária, que apenas mentes revolucionárias entenderiam essa revolução.” - Revolucionário da Silva

Satisfeito? Se isso não revolucionar suas vendas, eu não sei o que mais revolucionará!

Todo mundo acha que é fácil, mas ninguém quer se arriscar a escrever. É comum ouvir:

"Ah, é só juntar umas palavras, qualquer um faz isso."

Obviamente! E qualquer um também pode ser médico assistindo Grey's Anatomy.

Escrever para clientes complicados é uma tortura mental contínua, onde cada palavra parece rir da sua cara enquanto você tenta encaixá-la no quebra-cabeça da mensagem perfeita.

Entre uma revisão e outra, ainda temos que lidar o cliente perguntando se "aquela vírgula ali é mesmo necessária".

Não, claro que não, vírgulas são completamente opcionais. Inclusive, vou até removê-la, porque com o que você me pagou, não dá pra gastar com pontuação!

Também temos que lidar com as expectativas de resultados imediatos:

"Já publicamos o texto, cadê as vendas explosivas?"

Desculpe... Eu não sabia que o texto tinha que ser uma varinha mágica que resolve a mediocridade do produto e multiplica vendas.

Parentes - Parte 2:

E depois de entregar o trabalho perfeito, revisado 347 vezes, e finalmente ver o cliente parar de encher o saco, o telefone toca. É sua mãe:

"Você não quer tentar um concurso público? Acho que dá mais futuro."

Copywriters não fazem milagres, e se eu pudesse fazer, não estaria aqui escrevendo para clientes sem noção!

A vida de um copywriter é um circo, com animais, palhaços e nós, os equilibristas!

Continuamos firmes, afinal, fazer o quê, se gostamos tanto de escrever?!

Mas, apenas por curiosidade, deixa eu pesquisar aqui quando será o próximo concurso público...

Com amor, carinho e um pouquinho de ódio,

Mike Sakko! 😉